Blockchain e Mineração de Bitcoin: Como Funciona o Proof of Work

Blockchain, mineração, Proof of Work, blocos, transações e halving. Esses termos aparecem o tempo todo quando alguém começa a estudar Bitcoin, mas entender como eles se conectam é muito mais importante do que simplesmente decorar suas definições.

Neste guia, o TecAgora vai acompanhar o caminho de uma transação de Bitcoin desde o momento em que ela é criada até sua inclusão em um bloco da blockchain. Você também vai entender o papel dos nós, dos mineradores, do Proof of Work, das confirmações e do halving.

💡 Resumo rápido: no Bitcoin, as transações são transmitidas para uma rede de computadores chamados nós. Os nós verificam se elas seguem as regras do protocolo. Os mineradores reúnem transações válidas em blocos e competem por meio do Proof of Work para adicionar um novo bloco à cadeia. Quando a rede aceita esse bloco, ele passa a fazer parte do histórico da blockchain.

Se você ainda não conhece o conceito básico de criptomoedas, recomendamos começar pelo nosso guia o que são criptomoedas. Depois, este artigo ajuda a entender especificamente o funcionamento técnico da rede Bitcoin.

O que é blockchain no Bitcoin?

Blockchain pode ser entendida como uma estrutura de dados formada por uma sequência de blocos conectados uns aos outros.

No caso do Bitcoin, esses blocos armazenam informações relacionadas às transações que foram aceitas pela rede. Cada bloco também possui informações técnicas que permitem relacioná-lo ao bloco anterior.

Isso cria uma sequência:

Bloco anterior → novo bloco → próximo bloco → próximo bloco…

Essa sequência forma o histórico da blockchain do Bitcoin.

Uma característica importante é que esse histórico não depende de um único servidor pertencente a uma empresa. Uma rede distribuída de computadores mantém cópias e verifica se os dados apresentados seguem as regras do protocolo.

Por isso, quando falamos que o Bitcoin possui uma blockchain descentralizada, estamos falando de uma rede na qual diferentes participantes podem executar o software e verificar as regras por conta própria.

Por que os blocos são ligados uns aos outros?

Cada bloco possui, entre outras informações, uma referência criptográfica ao bloco anterior. Essa referência é baseada em um hash.

Um hash é o resultado produzido por uma função matemática que transforma uma determinada entrada em uma sequência de caracteres de tamanho definido.

Uma pequena alteração na entrada produz um resultado completamente diferente.

É justamente essa propriedade que ajuda a proteger a sequência de blocos.

Se alguém tentasse alterar informações antigas de um bloco, o hash relacionado a esse conteúdo também mudaria. Isso faria com que a ligação daquele bloco com os seguintes deixasse de corresponder ao histórico esperado.

⚠️ Importante: dizer que a blockchain é difícil de alterar não significa que seja uma estrutura magicamente imutável. A segurança depende das regras do protocolo, da criptografia, da distribuição da rede e, no caso do Bitcoin, do mecanismo de Proof of Work.

O que existe dentro de um bloco do Bitcoin?

Um bloco não é simplesmente uma caixa contendo uma lista de transferências.

Ele possui uma estrutura técnica composta por informações que permitem à rede identificar o bloco e verificar sua posição na cadeia.

Entre os elementos importantes estão:

  • referência ao bloco anterior;
  • raiz de Merkle das transações;
  • timestamp;
  • informação relacionada à dificuldade;
  • nonce;
  • transações incluídas no bloco.

Esses elementos fazem parte do funcionamento do protocolo e ajudam os participantes da rede a verificar se o bloco é válido.

O que é a raiz de Merkle?

A raiz de Merkle é um resumo criptográfico utilizado para representar o conjunto de transações de um bloco.

As transações são organizadas e combinadas por meio de hashes até chegar a um único resultado final: a Merkle Root.

Isso permite representar matematicamente o conjunto de transações do bloco sem precisar colocar todas elas dentro do cabeçalho.

Para quem está começando, a ideia principal é simples: a raiz de Merkle funciona como uma espécie de impressão digital do conjunto de transações incluídas naquele bloco.

Como uma transação de Bitcoin é criada?

Antes de um minerador pensar em produzir um bloco, existe uma etapa anterior: alguém precisa criar uma transação.

Imagine que uma pessoa queira enviar Bitcoin para outra.

A carteira utilizada pelo remetente cria uma transação contendo as informações necessárias para indicar quais bitcoins estão sendo utilizados e para onde os valores devem ser direcionados.

Para autorizar essa operação, a carteira utiliza a chave privada associada aos fundos.

A chave privada não deve ser confundida com o endereço público.

  • Endereço: pode ser compartilhado para receber Bitcoin.
  • Chave privada: permite autorizar operações relacionadas aos fundos controlados por ela.

A carteira utiliza a chave privada para produzir uma assinatura digital.

Essa assinatura permite que os participantes da rede verifiquem se a transação foi autorizada por quem possui a chave correspondente, sem que a chave privada precise ser divulgada.

O que acontece depois que a transação é enviada?

Depois de criada e assinada, a transação é transmitida para a rede.

Ela pode chegar a diferentes nós, que são computadores executando o software compatível com o protocolo do Bitcoin.

Esses nós não precisam simplesmente confiar na informação recebida.

Eles podem verificar se a transação segue as regras da rede.

Entre outras verificações, o software pode analisar se a transação possui uma estrutura válida, se as assinaturas correspondem às condições necessárias e se os bitcoins utilizados podem ser gastos.

Esse ponto é fundamental para entender uma diferença frequentemente ignorada:

🧠 Os nós verificam as regras. Os mineradores participam da produção de novos blocos por meio do Proof of Work.

O que é a mempool?

Quando uma transação válida ainda não foi incluída em um bloco confirmado, ela pode permanecer na chamada mempool.

A mempool pode ser entendida, de maneira simplificada, como uma área onde ficam transações que o nó conhece e considera elegíveis para serem incluídas em futuros blocos, antes de sua confirmação na cadeia.

Não existe necessariamente uma única mempool global compartilhada por todos os computadores da rede. Cada nó mantém seu próprio conjunto de transações e pode receber, remover ou priorizar transações de maneira diferente.

Essa distinção é importante porque a blockchain e a mempool representam momentos diferentes do processo.

  • Mempool: transações aguardando possível inclusão em um bloco.
  • Blockchain: histórico de blocos aceitos pela rede.

Como o minerador escolhe as transações?

O minerador pode selecionar transações disponíveis para montar um bloco candidato.

Um dos fatores economicamente importantes é a taxa da transação.

Como o espaço disponível em cada bloco é limitado, os mineradores podem priorizar transações de acordo com critérios que aumentem a receita obtida pelas taxas.

Depois de selecionar as transações, o minerador constrói um bloco candidato.

Esse bloco precisa obedecer às regras do protocolo antes de ser aceito pela rede.

O que é mineração de Bitcoin?

A mineração é o processo utilizado pelo Bitcoin para participar da produção de novos blocos por meio do mecanismo chamado Proof of Work, ou Prova de Trabalho.

O nome pode causar confusão porque mineração não significa simplesmente “fabricar moedas”.

O minerador trabalha para encontrar uma prova válida que permita propor um novo bloco à rede.

Como parte desse processo, os computadores de mineração realizam enormes quantidades de tentativas utilizando funções de hash.

O objetivo é encontrar um resultado que satisfaça a condição de dificuldade estabelecida pelo protocolo.

O que é Proof of Work?

Proof of Work significa “Prova de Trabalho”.

No Bitcoin, esse mecanismo exige que os mineradores realizem trabalho computacional para encontrar uma solução válida para o bloco que estão tentando produzir.

O processo não consiste em resolver uma pergunta matemática tradicional com uma única resposta lógica.

Na prática, o minerador realiza muitas tentativas, alterando determinados dados do bloco, especialmente o nonce, e calculando hashes até encontrar um resultado que atenda à condição exigida.

É por isso que o poder de mineração é normalmente associado à quantidade de tentativas de hash que uma máquina consegue realizar por segundo.

O que é o nonce?

Nonce é uma informação numérica presente no cabeçalho do bloco que pode ser alterada durante o processo de mineração.

O minerador modifica o nonce e calcula novamente o hash do cabeçalho.

Se o resultado não atender à condição necessária, outra tentativa é realizada.

Esse processo se repete milhares, milhões ou até quantidades muito maiores de vezes por segundo, dependendo do equipamento utilizado.

Quando uma tentativa produz um resultado válido para a dificuldade atual, o minerador encontra uma prova de trabalho válida.

O que é a dificuldade da mineração?

A rede Bitcoin possui um mecanismo de ajuste de dificuldade.

O objetivo é manter a produção de blocos próxima de uma média de aproximadamente 10 minutos por bloco, mesmo quando a quantidade de poder computacional participando da mineração muda.

Isso não significa que um bloco seja produzido exatamente a cada dez minutos.

Alguns blocos podem aparecer mais rapidamente e outros podem demorar mais.

O valor de aproximadamente dez minutos representa uma média utilizada pelo projeto para manter o funcionamento da emissão e da produção de blocos dentro do comportamento esperado.

Por que a mineração é uma competição?

Imagine milhares de participantes tentando produzir o próximo bloco ao mesmo tempo.

Cada minerador ou grupo de mineração trabalha com um conjunto de transações e tenta encontrar uma prova de trabalho válida.

Quando um participante encontra uma solução válida, ele transmite o bloco para a rede.

Os demais nós podem verificar se o bloco atende às regras.

Se o bloco for considerado válido e fizer parte da cadeia aceita pela rede, ele passa a integrar o histórico.

Depois disso, os mineradores começam a trabalhar na construção de novos blocos sobre aquele histórico.

O que acontece se dois mineradores encontrarem um bloco quase ao mesmo tempo?

É possível que dois mineradores encontrem blocos válidos em intervalos muito próximos.

Nesse cenário, diferentes participantes da rede podem receber blocos diferentes primeiro.

Isso pode criar temporariamente duas possibilidades para a continuação da cadeia.

À medida que novos blocos são encontrados, a rede converge para uma cadeia considerada válida segundo as regras do protocolo.

Um dos blocos pode acabar ficando fora da cadeia principal adotada, situação normalmente descrita como uma reorganização ou como um bloco órfão, dependendo do contexto e da terminologia utilizada.

É uma das razões pelas quais uma transação recém-incluída em um bloco não deve ser tratada da mesma maneira que uma transação que já possui vários blocos construídos sobre ela.

O que são confirmações no Bitcoin?

Quando uma transação é incluída em um bloco, normalmente dizemos que ela recebeu sua primeira confirmação.

Quando outro bloco é adicionado depois daquele, a transação passa a ter mais uma confirmação, e assim sucessivamente.

De forma simplificada:

  • transação incluída em um bloco = 1 confirmação;
  • um bloco posterior = 2 confirmações;
  • outro bloco posterior = 3 confirmações;
  • e assim por diante.

Quanto mais blocos são construídos depois daquele que contém a transação, maior é o trabalho de Proof of Work que um participante precisaria superar para tentar reorganizar aquela parte do histórico.

Por isso, o número de confirmações é uma consideração importante em operações que envolvem Bitcoin.

Por que é difícil alterar uma transação antiga?

Imagine que alguém queira modificar uma transação registrada vários blocos atrás.

Não seria suficiente alterar apenas aquela informação.

A alteração afetaria os dados criptográficos relacionados ao bloco e quebraria as relações esperadas com os blocos seguintes.

Para tentar substituir aquele histórico, o atacante teria que produzir novamente a prova de trabalho dos blocos afetados e ainda acompanhar ou superar o trabalho da cadeia que a rede está seguindo.

É justamente aqui que o Proof of Work possui um papel importante.

🔎 Em outras palavras: a segurança não vem apenas do fato de os blocos possuírem hashes. O custo computacional acumulado na cadeia também torna economicamente e tecnicamente difícil reescrever grandes partes do histórico.

De onde vêm os novos bitcoins?

O protocolo do Bitcoin prevê uma recompensa para o minerador responsável pelo bloco válido.

Essa recompensa possui uma parte relacionada à emissão de novos bitcoins, conhecida como block subsidy, além das taxas das transações incluídas no bloco.

É importante separar essas duas fontes de receita.

  • Subsídio do bloco: novos bitcoins criados conforme as regras do protocolo.
  • Taxas: valores pagos pelos usuários nas transações incluídas no bloco.

Portanto, quando alguém diz que “o minerador ganha Bitcoin”, isso pode envolver tanto os bitcoins emitidos pelo protocolo quanto as taxas pagas pelas transações.

O que é o halving do Bitcoin?

O halving é o evento programado no protocolo que reduz pela metade o subsídio recebido pelos mineradores por bloco.

A redução acontece aproximadamente a cada 210 mil blocos.

O objetivo é reduzir progressivamente a quantidade de novos bitcoins entrando em circulação.

Halving Recompensa de emissão por bloco
2009 – início da rede 50 BTC
2012 25 BTC
2016 12,5 BTC
2020 6,25 BTC
2024 3,125 BTC

O halving mais recente ocorreu em 2024, reduzindo o subsídio de 6,25 BTC para 3,125 BTC por bloco.

O próximo halving é esperado para 2028, mas a data exata depende da velocidade com que os blocos são produzidos.

Por que o halving existe?

O halving faz parte da política de emissão definida pelo protocolo do Bitcoin.

Em vez de uma instituição central decidir periodicamente quanto Bitcoin será criado, a emissão segue regras programadas.

O resultado é uma redução progressiva da quantidade de novos bitcoins produzidos por bloco.

Isso não significa, entretanto, que o preço do Bitcoin necessariamente aumentará depois de um halving.

Redução da emissão não é garantia de valorização.

O preço de um ativo depende de diversos fatores, incluindo oferta e demanda, liquidez, condições econômicas, regulamentação, percepção de risco e comportamento dos participantes do mercado.

⚠️ Aviso: Bitcoin é um ativo de alta volatilidade. Este conteúdo é educativo e não representa recomendação de compra, venda ou investimento.

Quantos bitcoins existirão?

O protocolo foi projetado com um limite de emissão de aproximadamente 21 milhões de BTC.

Esse limite é uma das características mais conhecidas do Bitcoin.

Como a recompensa dos blocos é reduzida progressivamente, a emissão de novos bitcoins diminui ao longo do tempo.

As últimas frações de Bitcoin deverão ser emitidas por volta do ano 2140, embora a dinâmica exata dependa do funcionamento da rede e da produção dos blocos.

O que acontece com a mineração depois que a emissão acabar?

Essa é uma questão importante para compreender o futuro econômico da rede.

Quando o subsídio de novos bitcoins deixar de existir, os mineradores não necessariamente deixarão de receber recompensas.

A principal fonte de receita prevista para esse cenário serão as taxas pagas pelas transações.

Isso significa que o modelo de segurança do Bitcoin deverá depender cada vez mais das taxas à medida que a emissão de novos bitcoins diminui.

Essa transição é uma das questões de longo prazo mais relevantes quando se estuda a sustentabilidade econômica da mineração.

Bitcoin é anônimo?

Não exatamente.

As transações realizadas na blockchain do Bitcoin são públicas. É possível consultar endereços, valores, movimentações e outros dados registrados na rede.

O que não aparece diretamente na blockchain é o nome real da pessoa que controla determinado endereço.

Por isso, é mais correto descrever o Bitcoin como um sistema pseudônimo, e não como uma rede completamente anônima.

Se um endereço puder ser associado a uma identidade por meio de outras informações, as movimentações relacionadas a esse endereço podem ser analisadas publicamente.

Blockchain é um banco de dados?

Em termos gerais, sim: uma blockchain pode ser compreendida como uma estrutura de armazenamento e registro de dados distribuída.

Mas simplesmente chamar blockchain de “banco de dados” pode esconder uma diferença importante.

Uma blockchain combina armazenamento de informações com mecanismos criptográficos, regras de consenso e uma rede de participantes que verificam o estado do sistema.

No Bitcoin, esse conjunto de mecanismos foi projetado para permitir que participantes que não precisam confiar diretamente uns nos outros mantenham uma visão compartilhada do histórico de transações.

Blockchain e Bitcoin são a mesma coisa?

Não.

Bitcoin é uma rede e um sistema monetário digital.

Blockchain é uma das estruturas fundamentais utilizadas pelo Bitcoin para registrar seu histórico.

É possível estudar a blockchain separadamente como conceito tecnológico, mas no contexto do Bitcoin ela não deve ser analisada isoladamente.

O funcionamento da rede depende da combinação de diferentes componentes, incluindo criptografia, transações, nós, regras de validação, Proof of Work e incentivos econômicos.

Por que os nós são importantes?

Os nós desempenham um papel essencial porque ajudam a verificar e retransmitir informações da rede.

Um nó pode receber transações e blocos e verificar se eles obedecem às regras que ele conhece.

Isso cria uma característica importante do Bitcoin: os participantes não precisam aceitar automaticamente qualquer informação simplesmente porque ela foi enviada por um minerador.

Um minerador pode produzir um bloco, mas os demais nós continuam verificando se esse bloco é válido.

Essa separação ajuda a entender por que dizer que “os mineradores controlam o Bitcoin” é uma simplificação incorreta.

Mineradores controlam as regras do Bitcoin?

Não da maneira como uma empresa controla um sistema centralizado.

Os mineradores possuem influência econômica e desempenham uma função fundamental na produção dos blocos, mas os nós verificam se os blocos respeitam as regras do protocolo.

Um minerador pode tentar produzir um bloco inválido, mas isso não significa que os demais participantes sejam obrigados a aceitá-lo.

Se o bloco violar as regras que os nós seguem, ele poderá ser rejeitado.

Essa diferença entre produzir um bloco e validar um bloco é uma das ideias mais importantes para compreender o funcionamento do Bitcoin.

O caminho de uma transação de Bitcoin

Depois de analisar cada componente separadamente, podemos juntar tudo em uma única sequência.

1. Criação
A carteira cria uma transação.

2. Assinatura
A transação é autorizada por meio de uma assinatura digital.

3. Transmissão
A transação é enviada para a rede.

4. Validação
Os nós verificam se ela respeita as regras do protocolo.

5. Mempool
A transação pode permanecer aguardando inclusão em um bloco.

6. Seleção
Um minerador escolhe transações para montar um bloco candidato.

7. Proof of Work
O minerador realiza tentativas até encontrar uma prova válida.

8. Transmissão do bloco
O bloco encontrado é transmitido para a rede.

9. Verificação
Os nós verificam se o bloco segue as regras.

10. Inclusão na cadeia
Se for aceito, o bloco passa a fazer parte da blockchain.

11. Confirmações
Novos blocos construídos posteriormente aumentam o número de confirmações da transação.

Esse fluxo resume grande parte do funcionamento básico da rede Bitcoin.

Por que a blockchain do Bitcoin é considerada resistente a alterações?

A resistência a alterações resulta da combinação de vários mecanismos.

  • assinaturas digitais ajudam a verificar a autorização das transações;
  • hashes conectam criptograficamente os blocos;
  • os nós verificam as regras do protocolo;
  • o Proof of Work exige trabalho computacional para produzir blocos;
  • novos blocos aumentam o trabalho acumulado sobre o histórico;
  • os incentivos econômicos ajudam a alinhar o comportamento dos participantes.

Nenhum desses elementos deve ser analisado isoladamente.

A segurança do Bitcoin surge justamente da combinação entre criptografia, regras de validação, descentralização, Proof of Work e incentivos econômicos.

Blockchain não é uma tecnologia mágica

Apesar de suas características, blockchain não é uma solução automática para qualquer problema.

Redes baseadas em blockchain podem enfrentar desafios relacionados a escalabilidade, custos, experiência do usuário, segurança, armazenamento de dados, regulamentação e consumo de recursos, dependendo de sua arquitetura.

No Bitcoin, por exemplo, o uso de Proof of Work exige uma quantidade significativa de energia e infraestrutura computacional.

Esse consumo não deve ser tratado simplesmente como um erro ou como uma vantagem absoluta. Ele faz parte do modelo de segurança escolhido pelo protocolo e também gera debates sobre eficiência, custos e impacto ambiental.

Da mesma forma, nem todo sistema que precisa armazenar dados precisa de uma blockchain.

Em muitos casos, um banco de dados tradicional pode ser mais simples, rápido e barato.

A pergunta mais importante, portanto, não é “como colocar blockchain neste projeto?”, mas sim:

Qual problema realmente precisa ser resolvido e quais vantagens uma blockchain oferece nesse cenário?

Blockchain, mineração e Bitcoin: qual é a relação?

Os três conceitos estão diretamente relacionados, mas representam coisas diferentes.

Conceito Função principal
Bitcoin Rede e sistema de dinheiro digital descentralizado.
Blockchain Estrutura que registra o histórico de blocos e transações.
Nós Verificam e retransmitem informações conforme as regras do protocolo.
Mineradores Competem para produzir novos blocos utilizando Proof of Work.
Proof of Work Mecanismo que exige trabalho computacional para produzir novos blocos.
Halving Reduz pela metade o subsídio de novos bitcoins por bloco aproximadamente a cada 210 mil blocos.

O que você precisa guardar deste artigo?

  • Blockchain é uma estrutura formada por blocos ligados criptograficamente.
  • No Bitcoin, a blockchain registra o histórico das transações.
  • Os nós verificam se transações e blocos seguem as regras do protocolo.
  • Uma transação é autorizada por meio de uma assinatura digital.
  • Transações ainda não incluídas em blocos podem permanecer na mempool de um nó.
  • Mineradores selecionam transações e montam blocos candidatos.
  • O Bitcoin utiliza Proof of Work para a produção de blocos.
  • Minerar envolve realizar muitas tentativas de hash para encontrar uma prova válida.
  • O nonce é um dos valores que podem ser alterados durante essas tentativas.
  • A rede ajusta a dificuldade para manter a produção média próxima de 10 minutos por bloco.
  • Uma transação incluída em um bloco recebe sua primeira confirmação.
  • Novos blocos posteriores aumentam o número de confirmações.
  • O halving reduz pela metade o subsídio de novos bitcoins por bloco.
  • O halving mais recente ocorreu em 2024.
  • A recompensa de emissão atualmente é de 3,125 BTC por bloco.
  • O próximo halving é esperado para 2028.
  • O protocolo foi projetado para limitar a emissão a aproximadamente 21 milhões de BTC.
  • Depois que a emissão se aproximar do limite, as taxas terão importância ainda maior para a receita dos mineradores.
  • Bitcoin não deve ser considerado completamente anônimo, mas sim pseudônimo.

Perguntas frequentes sobre blockchain e mineração de Bitcoin

O que é blockchain?

Blockchain é uma estrutura de dados formada por blocos conectados criptograficamente. No Bitcoin, ela registra o histórico de transações da rede.

O que significa blockchain?

O termo vem de block, que significa bloco, e chain, que significa cadeia. Por isso, blockchain pode ser traduzida como cadeia de blocos.

O que é mineração de Bitcoin?

É o processo pelo qual participantes da rede utilizam Proof of Work para competir pela produção de novos blocos. O minerador que encontra uma prova válida pode propor o próximo bloco à rede.

O que é Proof of Work?

É o mecanismo de consenso utilizado pelo Bitcoin que exige trabalho computacional para encontrar uma prova válida antes que um minerador possa propor um novo bloco.

O que é um bloco de Bitcoin?

É uma unidade de dados que contém transações e informações técnicas utilizadas para conectar o bloco ao histórico anterior e permitir sua validação pela rede.

O que é a mempool?

É o conjunto de transações que um determinado nó conhece e mantém disponíveis para possível inclusão em futuros blocos antes de sua confirmação na blockchain.

Quantos bitcoins são criados por bloco atualmente?

Após o halving de 2024, o subsídio de emissão passou para 3,125 BTC por bloco. Além disso, os mineradores podem receber as taxas das transações incluídas no bloco.

Quando será o próximo halving do Bitcoin?

A expectativa é que aconteça em 2028. A data exata depende da velocidade de produção dos blocos, já que o evento está relacionado à altura da blockchain.

Quantos bitcoins existirão?

O protocolo foi projetado com um limite de emissão de aproximadamente 21 milhões de BTC.

Bitcoin é anônimo?

Não completamente. As transações são públicas e podem ser analisadas. Como os endereços não mostram automaticamente o nome real de seus controladores, o Bitcoin é geralmente descrito como um sistema pseudônimo.

Os mineradores controlam o Bitcoin?

Não sozinhos. Mineradores produzem blocos por meio do Proof of Work, enquanto os nós verificam se esses blocos obedecem às regras do protocolo.

Por que existem confirmações?

As confirmações indicam quantos blocos foram construídos a partir do bloco que contém determinada transação. Quanto mais confirmações uma transação possui, maior é o trabalho acumulado sobre aquele histórico.

Conclusão: como blockchain e mineração mantêm o Bitcoin funcionando?

Entender Bitcoin fica muito mais fácil quando deixamos de enxergá-lo apenas como uma moeda digital e observamos o funcionamento da rede como um todo.

Uma transação começa em uma carteira, é assinada digitalmente e transmitida para a rede. Os nós verificam se ela respeita as regras. Depois, ela pode ser selecionada por um minerador e incluída em um bloco.

O minerador utiliza Proof of Work para competir pela produção do próximo bloco. Quando um bloco válido é encontrado e aceito pela rede, ele passa a integrar a blockchain.

Novos blocos são construídos sobre os anteriores, aumentando o trabalho acumulado e tornando progressivamente mais difícil tentar modificar partes antigas do histórico.

Ao mesmo tempo, o protocolo reduz periodicamente a quantidade de novos bitcoins emitidos por meio do halving. A recompensa de emissão já caiu de 50 BTC no início da rede para 3,125 BTC por bloco após o halving de 2024.

É essa combinação de criptografia, nós, validação, blockchain, Proof of Work, mineração e incentivos econômicos que permite ao Bitcoin funcionar sem depender de um servidor central responsável por autorizar cada transferência.

O mais importante, portanto, não é decorar cada termo isoladamente. É entender como eles se encaixam:

Carteira cria e assina a transação → nós verificam → transação pode entrar na mempoolmineradores selecionam transações → Proof of Work permite disputar o próximo bloco → nós verificam o bloco → o bloco entra na blockchain → novos blocos geram mais confirmações.

Essa é a base técnica para entender por que o Bitcoin consegue manter um histórico público de transações sem depender de uma única instituição central.

Se você quiser continuar sua jornada pelo assunto, confira também nosso guia sobre o que são criptomoedas e o conteúdo dedicado especificamente a Bitcoin explicado.

Nota editorial: este conteúdo possui finalidade exclusivamente educativa. Bitcoin e outros ativos digitais podem apresentar elevada volatilidade e riscos. As informações apresentadas não constituem recomendação de investimento, compra ou venda de qualquer ativo.

Weberson Alves é criador e responsável pelo conteúdo do TecAgora. Possui experiência com Blogger desde 2012, acompanha o mercado de criptomoedas desde 2014 e também realiza investimentos. Atua ainda com um provedor de internet via rádio e possui experiência prática em manutenção e configuração de celulares Android e iOS, conhecimento que desenvolveu desde a adolescência. No TecAgora, compartilha experiências, testes e informações sobre tecnologia, internet, aplicativos, segurança digital e finanças digitais.

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